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TRAUMAS

  • Foto do escritor: Patricia Rocha Civeira
    Patricia Rocha Civeira
  • 29 de mai. de 2023
  • 2 min de leitura

Para a psicanálise, o trauma é algo fundante da constituição subjetiva. Ele ocorre no processo de separação das figuras parentais de cuidado, quando ingressamos no mundo simbólico da linguagem. Por causa dessa falta original, com a qual teremos que lidar de algum modo, nasce o desejo de nos dirigirmos ao mundo, movidos pela busca por independência, autonomia e realizações.


Dessa forma, apesar de ser algo a princípio difícil e desafiador, esse trauma fundante da falta original é o que nos permitirá desejar e nos movimentar na busca por satisfações que podem vir das relações amorosas, de amizades, de atividades sociais ou comunitárias e de realizações profissionais. Nem sempre esse processo transcorre sem percalços, e muitas pessoas podem apresentar questões vinculadas já a esse primeiro momento traumático.


Ao longo da vida, podemos vivenciar outras experiências traumáticas com as quais não consigamos lidar. São eventos perturbadores por exceder nossa capacidade de processamento psíquico, podendo gerar angústia, sofrimento e sintomas no decorrer da nossa jornada.


Algumas experiências, como a morte de alguém, uma separação, uma doença, uma situação de violência ou um acidente, podem se configurar como potencialmente traumáticas se não puderem ser elaboradas e subjetivadas. Também pode ocorrer que algo considerado banal e corriqueiro venha a se constituir como traumático, a depender do modo como foi interpretado. Portanto, as vivências não são traumáticas em si mesmas, mas dependem de como lidamos com elas, podendo ou não desencadear sofrimento intenso e duradouro.


Uma situação traumática pode resultar em uma divisão do psiquismo, na qual as memórias e os sentimentos associados ao evento são reprimidos e tornados inconscientes para proteger a pessoa da dor e do sofrimento intenso. No entanto, essas memórias reprimidas podem retornar à consciência posteriormente, influenciando o comportamento e causando sintomas.


A psicanálise oferece um espaço para a expressão do traumático que foi reprimido por meio dos processos de linguagem, articulando dinâmicas inconscientes associadas, desconstruindo e reconstruindo novos caminhos de elaboração e de ressignificação capazes de lidar com as experiências traumáticas e com o sofrimento decorrente delas.



 
 
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